Autor Tópico: Mudar de escape?  (Lida 1134 vezes)

Offline moto2cool

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Mudar de escape?
« em: 17 de Setembro de 2020, 09:46 »
Quando se pensa em mudar o escape às vezes passa ao lado tudo o que está em jogo, aqui fica um artigo da andardemoto, apesar de não ser muito recente:

Quando pensar em mexer no escape da sua moto, pense duas vezes. Os modernos sistemas de escape são bem mais complexos do que os de há uma década. Dificilmente vai poder melhorar o que tem! A não ser que esteja preparado para gastar uma boa maquia, e que não tenha qualquer interesse ecológico ou preocupação cívica.

Nos primórdios da combustão interna, o sistema de escape de um motor não era mais do que um tubo destinado a encaminhar os vapores nocivos para longe da alimentação e da ignição. No entanto não demorou muito até que os engenheiros percebessem que o comprimento e o diâmetro da tubagem afectava a potencia e a eficiência do motor.

Desse momento em diante os escapes passaram a ser um dos factores importantes na engenharia dos motores.

As linhas de escape das motos de alto desempenho actuais, são meticulosamente afinadas e têm uma montagem surpreendentemente complexa, representando efectivamente, e segundo o chefe de desenvolvimento de motores da BMW, Uli Blüemelhuber, uma das áreas mais caras e complicadas no desenvolvimento de um motor actual.

Desde os colectores até à saída da ponteira, todos os componentes são cuidadosamente seleccionados para cumprirem um propósito específico, seja referente ao som, às normas de emissões de poluentes ou à manipulação do aproveitamento das ondas de pressão que viajam à velocidade da luz e que interferem directamente com o rendimento do motor.

 Repare em qualquer sistema de escape moderno e vai ver colectores que se enrrolam sob o motor e confluem num colector. Este colector pode variar muito em tamanho, com a recente tendência favorecendo a utilização de uma maior câmara de expansão (muitas vezes contendo o conversor catalítico e o sistema primário de redução de ruido) instalada sob o motor, facto que permite a utilização de uma ponteira menor e mais leve no flanco da moto.

Além do colector, muitos sistemas incluem também uma válvula de borboleta servo controlada e, algures ao longo da linha - normalmente imediatamente a seguir ao colector, mas algumas vezes mais perto da saída de escape - haverá uma ou mais sondas lambda destinadas a medir o teor de CO e de Oxigénio. Estas sondas estão ligadas à centralina, informando-a da eficácia da combustão, que actua em conformidade para garantir uma combustão adequada. Em alguns casos poderá também ver “by-passes” a ligar diversas linhas dos colectores.

Aprofundando o tema, na dinâmica de fluxos de um sistema de escape há dois momentos fundamentais: a evacuação lenta dos gases e a propagação das ondas de pressão (som), que circulam a cerca de 500 metros por segundo.

Os gases de escape viajam regularmente ao longo da linha de escape, mas as ondas de pressão movem-se através do tubo de escape em função das características do design que influenciam o seu comportamento de diversas formas muito interessantes.

Por exemplo, uma mudança no diâmetro do tubo vai afectar a velocidade dessas ondas, e também vai reflectir parte dessas ondas de volta para o colector de escape, tal como ondas numa piscina ricocheteando na parede.

Também a mudança na espessura da tubagem pode inverter o sentido dessas ondas e transformar a força de compressão (positiva) numa força expansiva (negativa). Se o “timing” for correcto, essa onda de pressão negativa vai chegar de volta à(s) válvula(s) de escape e ajudar a limpar o cilindro de gases residuais, e assim ajudar a admissão de combustível fresco para dentro do cilindro, melhorando a potência e o rendimento energéticol.  

As características câmaras de expansão dos escapes dos motores a dois tempos são um exemplo desta tecnologia levada ao extremo.

O comprimento da linha de escape o o diâmetro dos tubos são factores críticos. Como regra básica, para se conseguir um binário elevado a baixa rotação, são empregues tubos mais longos e de diâmetro inferior. Por outro lado, para encontrar maior potência a alta rotação, os tubos são mais curtos e o diâmetro é maior.

Também o comprimento dos tubos de todos os cilindros deve ser igual, e é por isso que nas “V-Twin” o colector e tubo do cilindro traseiro, apresentam normalmente uma c«forma estranha, com uma grande curva antes de chegar à ponteira.

Como se tudo isto não fosse já suficientemente complicado, o regime do motor (r.p.m.) entre numerosos outros factores, influencia a frequência e a força destes cruciais impulsos de pressão, limitando a optimização do sistema de escape a um determinado regime ou rotação do motor.

Por isso, e tal como os corpos de admissão são regulados electronicamente para dosearem a correcta entrada de mistura de acordo com a rotação do motor, também a já referida válvula de borboleta reduz o fluxo para fazer uso dessas mesmas ondas de pressão, tal como refere Marcus DeMichele, o director de comunicação da Yamaha.

Esta manipulação dinâmica das ondas de pressão ajuda a suavizar a curva de binário do motor, e em certos casos também pode alterar o nível de ruído para que se possam cumprir certos parâmetros impostos pelas regulamentações oficiais, afirma Jeff Wells da SuperTrapp Industries. E complementa: Julgam que estas válvulas de escape são só para fazer felizes os engenheiros de som? Não! Até no MotoGP, a Aprilia na RS-GP, tal como outras equipas também estão a usar esta técnica!

Para além de melhorar a performance do motor, o sistema de escape deve também reduzir o nível sonoro para valores aceitáveis, e remover elementos nocivos do gás de escape, assim como também satisfazer os departamentos de marketing com linhas esteticamente desejáveis. Já para não falar que também não devem aumentar os custos de produção nem o peso final do conjunto. Não é uma tarefa fácil, que representa uma miríade de compromissos.

Por isso é tão difícil, uma fabricante de escapes alternativos produzir algo que seja melhor do que os escapes produzidos pelas próprias marcas. Não quer dizer que um escape de rendimento não possa melhorar a potência ou o som, mas nunca vai conseguir o compromisso geral dos escapes de origem

https://www.andardemoto.pt/moto-news/24135-os-sistemas-de-escape-mais-do-que-tubos-que-fazem-barulho-e-deitam-fumo/
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Offline davidsantos

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Re: Mudar de escape?
« Responder #1 em: 17 de Setembro de 2020, 11:59 »
Ou seja o melhor é não mexer... Já tinha chegado a essa conclusão, nada como material original.
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Offline Élio

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Re: Mudar de escape?
« Responder #2 em: 17 de Setembro de 2020, 12:07 »
Obrigado pela partilha


O limite é apenas uma fronteira criada pela sua própria mente.

Offline Mercurio

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Re: Mudar de escape?
« Responder #3 em: 17 de Setembro de 2020, 12:24 »
Na admissão passa-se exactamente o mesmo: um somatório de fenómenos muito complexos (que estão muito para lá dos meus conhecimentos de fisica) em que é muito dificil fazer qualquer melhoria.
 Sou, por isso, extremamente cético em relação  a filtros de ar "de rendimento" e afins.
Se melhorar a performance fosse assim tao fácil seguramente o filtro XPTO viria de origem.

Offline davidsantos

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Re: Mudar de escape?
« Responder #4 em: 17 de Setembro de 2020, 13:46 »
Na admissão passa-se exactamente o mesmo: um somatório de fenómenos muito complexos (que estão muito para lá dos meus conhecimentos de fisica) em que é muito dificil fazer qualquer melhoria.
 Sou, por isso, extremamente cético em relação  a filtros de ar "de rendimento" e afins.
Se melhorar a performance fosse assim tao fácil seguramente o filtro XPTO viria de origem.


Sou da mesma opinião...
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Offline FabioEsteves

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Re: Mudar de escape?
« Responder #5 em: 30 de Dezembro de 2020, 20:44 »
Eu tirei o filtro de dentro do escape da GTS e é notório a subida mais rapida as rotações.
E como sobe além de mais rapido. Com menos acelerador.
Um trabalho nos dutos de entrada tambem trazem uma melhora. Mas em uma moto de baixa cilindrada vem muito pouco.

Agora se fosse uma maxy de 600 por exemplo. Um filtro de ar de rendimento, escape....
Vem sempre uma alegria a mais.

Offline moto2cool

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Re: Mudar de escape?
« Responder #6 em: 31 de Dezembro de 2020, 09:38 »
Quando se altera a circulação dos gases alerta-se o sistema no seu todo, com consequências ecológicas, de desempenho, de eficiência.
Umas boas, outras nem por isso
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Offline davidsantos

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Re: Mudar de escape?
« Responder #7 em: 01 de Janeiro de 2021, 23:47 »
A contrapressao num escape original é importante para o funcionamento de um motor, quando se altera escape por uma unidade inadequada, poderá dar a impressão de o motor respirar melhor, mas a longo prazo irá diminuir a duração do mesmo.
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