Autor Tópico: A evolução das motos no Dakar  (Lida 1761 vezes)

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Offline Jorge de Almeida

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A evolução das motos no Dakar
« em: 15 de Janeiro de 2015, 17:43 »
Estando nós neste momento em pleno Dakar e a três dias do seu final, e com um Português Paulo Gonçalves em 2º lugar da geral a pouco mais de 7 minutos do 1º lugar. Achei engraçado inaugurar este novo sub-quadro, transcrevendo um texto feito pelo Bernardo Vilar onde relata um pouco a evolução das motos do Dakar no início da década de 2000. Onde também fala das suas participações no Dakar e as dificuldades que os pilotos passam nesta dura prova.


A evolução das motos no Dakar


Antigamente uma moto para ir para o Dakar tinha de ser, literalmente, grande. Com grandes depósitos de gasolina e, de preferência com um motor “cheio de cilindrada e potência”. As mais velozes eram geralmente as bicilindricas, pesadíssimas, carregadas de material por todo o lado!

É verdade que havia de tudo. Nas verificações apareciam sempre uns protótipos, meio excêntricos, que por norma não chegavam ao fim. As grandes vedetas eram as Yamaha, as Cagiva e ainda algumas Suzuki e Gilera, motos que seguramente passavam a barreira dos 200kg.
Imaginem a “carga de trabalhos” para as levantar….

É evidente que as velocidades alcançadas eram diabólicas, mas quando algo corria mal… era a “morte do artista”. Já para não falar na dificuldade de controlar aqueles “animais”, em situações de extrema dificuldade. Não era para todos!

Foi então por isso que começaram a surgir as monocilindricas, bem mais leves, mas sobretudo muito mais eficazes. Só tinham inicialmente o problema da fiabilidade, coisa que a pouco e pouco foi sendo corrigido. Graças a essa fiabilidade consegui dois “top ten” à geral (9.º e 10.º), uma vitoria e um 2.º lugar na classe Marathon, no Dakar 2000 e 2001, com uma moto versão cliente, pois as de “fábrica” já andavam na frente.

Nesta altura, as motos começaram a ficar mais leves, na casa dos 160kg em vazio, pois ainda levavam cerca de 50 litros de combustível e mais algum material que era fundamental. Ainda assim, continuava a ser muito peso!

A minha 1.ª moto Dakar, Honda XR 600, pesava de origem 128kg, depois de preparada perto dos 160kg, mais 55 litros de gasolina, 3 litros de água e uma mochila com cerca de 10kg (material e ferramenta), tal era o medo de ficar “agarrado”.

A minha última moto “Dakariana” foi sem dúvida a melhor. Não consegui dar o meu melhor devido a problemas físicos, mas consegui uma vitória numa etapa, um dos grandes momentos da minha carreira. Foi a KTM 660 Rally Replica 2002, a mais rápida (185km/h), a melhor suspensão, a mais leve (156kg em vazio), gasolina muito melhor distribuída (à frente 2x12 litros e atrás 2x12 litros) que totalizava assim 48 litros, bem diferente dos 30 litros das motos actuais.

Entretanto, e por pouco tempo, voltaram os “monstros”. As “Katê” cresceram para 950cc e também regressaram as enormes BMW. Uma geração de “monstros” um pouco diferentes, devido a uma muito melhor performance. Mas, logicamente, continuavam perigosas e pesadas. Por fim acabaram com elas e nasceu uma nova era: as “btt”…. Perdão…. As leves 450cc.

Agora tudo mudou. 450cc para todos! Apareceram as fábricas outra vez e naturalmente a Honda, a Yamaha e a Aprilia voltaram, pois era a oportunidade de apanharem o barco que haviam perdido para a KTM.
Tudo começou de novo, agora muito mais leves. 130kg a KTM, 140kg a Honda. Espero não estar enganado, mas os pesos andam por ai. A juntar a isto, uns míseros 30 litros de gasolina e é por isso que andam sempre aos saltos. Reparem que a velocidade está lá! Eu bem vi a mota do Coma a ser perseguida pelo “heli” a 175km/h. Como pode aguentar aquele pequeno motor de 450cc?...

O facto é que há muito menos acidentes graves, o que não é devido a uma maior habilidade dos pilotos, mas sim a uma significativa redução do peso das motos. Inicialmente ainda contestei essa decisão, mas hoje tenho que concordar, até porque também abriu as portas a muito mais candidatos à vitoria.

Só queria acrescentar que pela primeira vez acredito na possibilidade se ganharmos o Dakar. Ficaria muito orgulhoso, pois sempre achei que isso poderia vir a acontecer, devido ao carácter dos nossos pilotos, além de que sinto que também tenho um pouquinho “culpa no cartório”. Afinal foi na minha geração (eu e o Marquês) que ganhamos as primeiras “especiais” em Dakar, bem como a entrada no “Top Tem à Geral”, na mais dura e famosa corrida do Universo.

Um bem-haja a todos e saudações “Dakarianas”.

Só quero muita sorte para o final de prova dos nossos pilotos e que tragam a vitória.


Texto: Bernardo Vilar

Fonte: http://rigortest.com/index.php/informacao/cronicas/item/219-a-evolucao-das-motos-no-dakar



Offline Carlujo

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Re: A evolução das motos no Dakar
« Responder #1 em: 15 de Janeiro de 2015, 17:51 »
A diferença aumentou substancialmente.
O Paulo foi penalizado com 15 minutos, por ter trocado de motor ontem, com o Barreda...  _thumbdown_ _Zang_
SYM GTS 125 Evo - 0 km (15/05/2010) até 48.627 Kms. (23/09/2014) Deixou saudades...
Maxsym 400i - 6.155 kms (23/09/2014) até ...

Offline Sapiens21

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Re: A evolução das motos no Dakar
« Responder #2 em: 15 de Janeiro de 2015, 18:49 »
Gostei da parte em que ele refere que as motos actuais levavam apenas uns "míseros 30 litros"... _lol_

Antes levavam mais, está certo...mas os motores agora são bastante mais eficientes e 30 litros de gasolina é muuuita litro.  ;D
« Última modificação: 15 de Janeiro de 2015, 18:56 por Sapiens21 »